É fome, desigualdade social, racismo, LGBTfobia, machismo, sexismo, violência doméstica, xenofobia, falta de empatia, tantas mazelas. Quando paramos para pensar no século que nos encontramos, no tanto que já passamos e não aprendemos nada, dá uma angústia, uma sensação de impotência e desestímulo.
Guerras, conflitos territoriais, cada vez mais acirrados, geram a migração de pessoas para que saiam das suas realidade infames em que, ao estarem dormindo, podem nem acordar por uma bomba ter caído na sua casa, por exemplo. Pessoas passando fome, violências diversas. Isso não é contexto de 2ª Guerra Mundial, é 2018, ao vivo e a cores.
Para mim, o nosso lar é o mundo. Os homens criaram fronteiras, as propriedades privadas etc, mas eu ainda tenho o direito de caminhar pela minha casa, o planeta terra. Apesar disso, a mesquinhez se faz maior que a compaixão, e levantam muros, atiram, matam.
Uns com tanto, outros com tão pouco. Como diziam ‘As meninas’ em 1999, o mais rico fica cada vez mais rico e o pobre cada vez mais pobre. Livros, músicas parecem ser atemporais em um mundo que se mostra cíclico. Infelizmente.
Índios perdendo suas terras que sempre foram suas; candidato a presidência dizendo que, caso fosse eleito, não restaria 1 cm de terra para os indígenas, se referindo a negros como arrobas, dizendo que preferia um filho morto a gay, que ter vizinho gay desvaloriza imóvel, que sua filha foi uma fraquejada, que nordestino é freio de mão puxado; presidente de um dos países mais poderosos, ou o mais, ameaçando atirar em hondurenhos que estão querendo chegar aos EUA pela situação precária em que vivem; frentes de extrema direita ganhando maior popularidade na Europa; agora é normal exaltar torturador. É, o mundo está andando de macha ré e vai ser tarde demais quando darem a devida importância.
Pessoas que não tinham voz, ou melhor, pessoas desumanas, estão se sentindo mais confortáveis em se expressarem. Está havendo um revisionismo histórico absurdo, coisas como: Mandela é terrorista, Zumbi é terrorista, Nazismo era de esquerda, e por aí vai. Parece que enlouqueceram, não é possível. Fizeram uma lavagem cerebral? A única explicação.
Se a internet já era vista como uma terra sem lei, onde ofensas de qualquer tipo são feitas sem medo, agora com essa voz adquirida por essa parte da população, só piorou.
Pode parecer brincadeira, mas há quem diga que gays querem privilégios, que existe uma “ditadura gayzista”. Eu prefiro acreditar que essas pessoas não conhecem dados da violência que esse grupo sofre. Torço para isso.
Abrir redes sociais e não seguir apenas páginas bonitinhas é ter o risco de sofrer um ataque de ansiedade com tantas barbaridades noticiadas e comentadas. Se quer fazer uma boa ação para si mesmo: não leia os comentários, pois, se a notícia está ruim, pode apostar, terá coisas piores neles.
O mundo está difícil de engolir, não podemos esconder de nós mesmos as feridas, mas não podemos nos afundar. Não podemos desistir dele, afinal de contas, ele é a nossa morada. Precisamos lutar por um mundo melhor, mas a nossa revolução começa em nós mesmas. Clichê, mas válido:
SEJAMOS A MUDANÇA QUE QUEREMOS VER NO MUNDO
Ninguém solta a mão de ninguém. Nenhuma batalha é perdida, se não chegou ao fim. É duro ver o mundo tomando caminhos opostos ao futuro, mas mar calmo nunca fez bons marinheiros.